Delírios de Lulu It´s supercalifragilisticexpialidocious!
  • scissors
    20 de maio de 2011luluInteressante

    Texto muito interessante para quem trabalha com clínica… novos desejos também causam crises.

    Considerações sobre novos desejos

     CONTARDO CALLIGARIS 

     UM JOVEM não sabe o que ele está a fim de fazer da vida, e os pais pedem que eu descubra qual é o desejo do filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele “realmente” gostaria.

     Na mesma semana, encontro um adulto que acha que, de fato, nunca fez nada por desejo. Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas) sempre teriam sido circunstanciais, efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede, antes que seja tarde, que eu o ajude a descobrir qual é “realmente” o seu desejo. Nos dois casos, o pressuposto é o mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre. Esta é mesmo uma boa definição da alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos fazendo, ou seja, de que nossa vida não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem dirigido a vida por caminhos que – eles declaram – não eram exatamente os que eles queriam.

    Pois bem, esse pressuposto e os pedidos que recebi se chocam com esta constatação: o “nosso desejo” nunca é UM desejo definido por UM objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e, logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer, destinados. Nada disso: de uma certa forma, todos os objetos e os projetos se valem, e nenhum é “nosso” objeto ou projeto específico. Ou seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros, as oportunidades – segundo as tentações, se você preferir. Somos volúveis? Nem tanto, pois cada objeto e projeto não substitui necessariamente o anterior. O que acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo. Por consequência, mesmo quando estamos alegremente convencidos de estar fazendo o que queremos com nossa vida, nunca estamos ao abrigo do surgimento de desejos novos. Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em “As Confissões de Schmidt” (que não é um grande filme), de A. Payne, com Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: “Quem é esta mulher que dorme na minha cama?”. Logo, ele dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada. Mas a expressão de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias: providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo. Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é? Agora, imaginemos alguém que esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado, reprimido, menosprezado (“deixe para lá, é besteira”). Resultado: o indivíduo continuará declarando que está vivendo a vida que ele queria (e, em parte, será verdade); só que, de repente, sem entender por quê, ele perderá sua alegria. Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos? Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão e preguiça dos esforços necessários para reinventar a vida. Infelizmente, essa negligência tem um custo alto.

    Sempre entendi assim a “Metamorfose”, de Kafka: alguém acorda, e o que até então era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de barata. Nota útil para a clínica da depressão. Às vezes, procuramos em vão as causas de uma depressão; será que houve lutos ou perdas? Nada disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo entristece, volta a fumar e a beber como se quisesse encurtar a vida, engorda como se estivesse num mar de frustração e precisasse de gratificações alternativas. Em muitas dessas vezes, a origem da depressão não é uma perda, nem propriamente uma frustração, mas a aparição de um desejo novo que não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.

    Moral da fábula: 1) Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois novos desejos surgem sempre; 2) É bom reconhecer os novos desejos, mesmo que deixemos de realizá-los.

    Email: ccalligari@uol.com.br

    Tags: , , , , , ,
    Envie um comentário delirante
  • scissors
    18 de agosto de 2010luluCinema, Dicas

    Olá pessoas!

    Mais uma dica de cinema! Dessa vez sobre Psicanálise! Claro que isso não é só para psicanalistas, mas para quem gosta de filmes em geral q gosta de uma análise mais aprofundada.
    “Em comemoração aos 100 anos da IPA – International Psychoanalitical Association, fundada em 1910 por Sigmund Freud, a Cinemateca Brasileira, em parceria com a Sociedade Brasileira de Psicanálise e sob a coordenação de Leopold Nosek, apresenta uma programação extensiva de filmes, sessões comentadas e debates que buscam evidenciar relações entre a psicanálise e o cinema.”

    A mostra começou em maio e termina dia 12 de setembro, mas ainda dá tempo de ver muitos filmes ótimos!

    Eis a programação a partir desse sábado:

    21.08 | SÁBADO

    SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DE SÃO PAULO – AUDITÓRIO SIGMUND FREUD

    15h00   RICARDO III – UM ENSAIO | DEBATE COM INÁCIO ARAÚJO PLÍNIO MONTAGNA | MEDIAÇÃO DE MARIA ELISA FRANCHINI PIROZZI

    22.08 | DOMINGO

    SALA CINEMATECA BNDES

    19h00   CURTA O SEXO | O CADERNO ROSA DE LORI LAMBY SALIVA AMASSA QUE ELAS GOSTAM A MULHER DO ATIRADOR DE FACAS RUÍDO DE PASSOS | DEBATE COM XICO SÁLUCIANA SADDI | MEDIAÇÃO DERITA ANDRÉA ALCÂNTARA DE MELLO

    29.08 | DOMINGO

    SALA CINEMATECA PETROBRAS

    19h00   RASTROS DE ÓDIO | DEBATE COM DAVI ARRIGUCCI JR. LUIZ CARLOS UCHÔA JUNQUEIRA FILHO | MEDIAÇÃO DE ALICE PAES DE BARROS ARRUDA

    05.09 | DOMINGO

    SALA CINEMATECA BNDES

    19h00   MORANGOS SILVESTRES | DEBATE COM MAURO MEICHES ALFREDO MENOTTI COLUCCI | MEDIAÇÃO DE MICHAEL ACHATZ

    08.09 | QUARTA

    SALA CINEMATECA BNDES

    17h30   OS ESQUECIDOS

    19h30   A MENINA SANTA | DEBATE COM ANDRÉS RASCOVSKYMARIA DORA MOURÃO | MEDIAÇÃO DE ANA MARIA BRIAS SILVEIRA

    09.09 | QUINTA

    SALA CINEMATECA BNDES

    18h00   MORANGO E CHOCOLATE

    20h00   A TETA ASSUSTADA | COMENTÁRIOS DE EVELISE DE SOUZA MARRA | MEDIAÇÃO DE CÂNDIDA SÉ HOLOVKO

    10.09 | SEXTA

    SALA CINEMATECA BNDES

    18h00   O CORINTIANO

    20h00   WHISKY | COMENTÁRIOS DE CÍNTIA BUSCHINELLI | MEDIAÇÃO DE MONICA POVEDANO

    11.09 | SÁBADO

    SALA CINEMATECA BNDES

    16h00   MORANGO E CHOCOLATE

    18h00   A TETA ASSUSTADA

    20h00   OS ESQUECIDOS | COMENTÁRIOS DE ALAN VICTOR MEYER | MEDIAÇÃO DE PATRÍCIA CABIANCA GAZIRE

    12.09 | DOMINGO

    SALA CINEMATECA BNDES

    15h00   WHISKY

    17h00   A MENINA SANTA

    19h00   O CORINTIANO | DEBATE COM JOSÉ MIGUEL WISNIK LEOPOLD NOSEK | MEDIAÇÃO DE MAGDA KHOURI

    Locais:

    CINEMATECA BRASILEIRA

    Largo Senador Raul Cardoso, 207

    próximo ao Metrô Vila Mariana

    Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

    www.cinemateca.gov.br

    SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICANÁLISE DE SÃO PAULO

    AUDITÓRIO SIGMUND FREUD

    Av. Dr. Cardoso de Melo, 1450

    Outras informações: (11) 2125-3777

    Inscrições pelo e-mail: fabiana@sbpsp.org.br (apenas para a sessão do dia 21.08)

    Taxa de manutenção: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada) – as sessões com exibição em DVD têm ENTRADA FRANCA

    Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

    Bons delírios!

    Lu

    Tags: , , ,
    Envie um comentário delirante